segunda-feira, março 19, 2007

Palavra-passe

TEXTO RETIRADO TEMPORARIAMENTE

segunda-feira, março 12, 2007

Conta-me coisas...

Conta lá...
Conta-me porque existe gelo no teu timbre de voz e um vazio nos teus gestos.
Conta-me porque te vestes de indiferença e distância.
Conta lá...

Eu já deixei a mágoa num labirinto de difícil acesso
e o ressentimento a macerar entre pétalas de doçura.
É a tua vez...
"desconstrói" essa muralha de impecabilidade
e deixa que novas cores se acomodem à tua volta.

quinta-feira, fevereiro 22, 2007

Desencontros...

Quis dizer tantas coisas,
Quis contar-te como são precisas coisas tão pequenas e simples para eu ficar feliz,
Quis sentar-me a teu lado e deixar que os sonhos falassem mais alto,
Quis agarrar os medos de uma vez por todas, com força e determinação,
Quis dar-te a mão e mostrar-te o meu mundo mágico...

Quis mostrar-te as amoras cor de piquenique que apanhei pelo caminho,
Quis partilhar contigo os fragrâncias das folhas que perfumaram o meu duche,
Quis desenhar o meu sorriso...

Quis...
E dei por mim a questionar-me se terei conseguido...

Sei que não sentiste sequer as notas de música que saltitavam à minha volta,
Nem viste as gotas de loucura que escorriam pelo meu cabelo,
Ou as nuvens cor de insegurança onde eu me sentei...

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Cardápio

Foram servidas mágoas pisadas em almofariz de pedra, temperadas com pétalas, regadas a lágrimas.

Mágoas como entrada, dúvidas como prato principal e salada de emoção confusão.

Vinho para um brinde à solidão, desassossego para a fase final…

Quadradinhos de açúcar fingiram adoçar um café que se propunha despertar sentidos e avivar instintos.

No fim, houve conversas sentidas, perguntas vazias e respostas ocas, gargalhadas perdidas, sorrisos sem par, sem número, sem género, sem cor, sem forma, sem jeito, sem nada, sem nexo.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Miragem

Era uma vez um canteiro que estava cheio a abarrotar de flores, de cores, de fragrâncias, de volume.
Lindo, delicado, harmonioso, agradável aos sentidos...
Ora frágil, ora exuberante...
Não havia espaço para outras flores, nem lugar para ervas daninhas, ou pragas. Sem dúvida, alguém dedicava atenção diária a tal cantinho tão especial.
Não, não, não... isto não é verdade, era só a descrição de uma imagem que me deixou boquiaberta por alguns segundos. Daquelas tão expressivas pelo poder da cor e da textura que nos levam a acreditar que a perfeição existe. Não existe, é só uma miragem, cada vez mais longínqua, que teimam em me impingir e que me leva diariamente a um completo desespero...

Having a bad day…

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Cartas

São cartas de diferentes baralhos, cartas que valem muitos pontos, poucos tentos, escassos tostões, muitos milhões. Cartas que encontram o destino de uns e outros entre figuras versáteis com pretensão a membros da realeza. São cartas que já sentiram o toque suave de dedos delicados, o contacto de dedos rugosos, o suor de dedos nervosos, impacientes, ansiosos. Cartas baralhadas, embaraçadas, atrapalhadas, confusas que nos perturbam os sentidos e nos turvam o entendimento.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Não dá...

Não dá para crescer mais do que aquele palmo de altura, por mais que tente!
Não dá para formar uma vaga alta, sumptuosa, digna de respeito, por mais que queira!
Não dá para me tornar num ciclone, num tornado, ou mesmo numa ventania!
Não dá para ser mais de que uns escassos grãos de areia no deserto, uma folha de árvore caída num bosque, um cambiante de uma cor que não coube no arco-íris.
Não dá…

domingo, dezembro 17, 2006

Palavras II

As palavras ficaram cativas da explicação,
dependentes do esclarecimento,
presas num círculo vicioso.

Sem casa para onde voltar,
sem rumo, sem seguimento,
sem asas para a sua completa libertação.

E agora?

sexta-feira, novembro 24, 2006

À mesa...


Olhou atentamente para o prato, para os convivas, para as mil e uma delícias que coloriam a mesa e aromatizavam a atmosfera e, lentamente, agarrou umas migalhas do prato que se encontrava à sua esquerda. Gostava de saborear devagar, de aproveitar até à última migalha.
Todos pareciam felizes, sorridentes, afáveis. Conversava-se sobre música, sobre flores e plantas aromáticas, medicinais, exóticas, sobre o Nobel da Paz, sobre esperança... Ela sorriu também. Voltou a agarrar em mais umas migalhas da travessa mesmo à sua frente. Hummm... Boa escolha, boa conjugação de sabores.
Ternura combinava sempre bem com inspiração.

quinta-feira, novembro 23, 2006

Hoje não me recomendo...

Palavras de "Não queiras saber de mim" da dupla Rui Veloso/Carlos Tê que me soam tão familiares...

Não queiras saber de mim
Esta noite não estou cá
Quando a tristeza bate
Pior do que eu não há
Fico fora de combate
Como se chegasse ao fim
Fico abaixo do tapete
Afundado no serrim

Não queiras saber de mim
Porque eu estou que não me entendo
Dança tu que eu fico assim

Hoje não me recomendo
(...)