sexta-feira, fevereiro 27, 2009

Há sempre...

Há sempre...
ervilhas de cheiro e miosótis nos canteiros que ladeiam este caminho.
um rasto de avião que nos leva a querer desejar.
girassóis que iluminam campos e nos prestam atenção.
borboletas que pousam e aguardam o melhor momento para partir.
vento que empurra as velas dos moinhos e instiga D. Quixotes a continuar a sonhar.
Dulcineias perdidas, Romeus e Julietas desesperados, um Pedro e uma Inês infinitamente martirizados.
um luar que testemunha sorrisos, gargalhadas limpas e rostos felizes.
um sol que encobre dor, feições sulcadas de mágoa e gritos de desespero.
sonhos que comandam vidas e vidas entrecortadas por pesadelos.

Tal como haverá sempre...
...
esperança para continuar.

terça-feira, janeiro 06, 2009

E agora?

O que fazer comigo?
O que fazer com estas gotas de alegria contida que teimam em efervescer?
O que fazer com esta certeza de intangibilidade?
E com a calma que não me larga e me impede de correr, de tentar, de sofrer...?

quarta-feira, novembro 19, 2008

sexta-feira, novembro 07, 2008

São horas...

São horas de me preparar para seguir sem ti.

São horas
de saber que há diferenças
entre o que somos e o que julgamos ser,
entre o que inventamos e o que vivemos,
entre a água clara e a água limpa,
entre malmequeres e margaridas,
entre um vendaval e uma tempestade,
entre dias cinzentos e Outono...

São horas de aceitar e não de insistir...

quarta-feira, novembro 05, 2008

Chuva

Só gosto da chuva porque a sinto no teu rosto
e porque sei que também no meu rosto
haverá chuva em vez de lágrimas...
um dia...

quinta-feira, outubro 16, 2008

Esboço

Se me reinventasse
Queria espirais azuis no cabelo
E cornucópias purpúreas na capa
Queria-te fora de mim

Se te desenhasse
Queria raios de sol no olhar
E flocos de nuvem no bolso
Queria-te... mas não assim

sexta-feira, outubro 03, 2008

Há dias assim

Praças calcetadas a escarlate e ferrugem
Toada de ramos de árvores sincronizados
Dique de lágrimas em dia de tempestade
Perguntas sem resposta em dias absurdos

Loucos que assustam com gritos mudos
Vento forte em ambiente de surrealidade
Segredos e receios em passos apressados
Lugares apinhados de vazio em vertigem

terça-feira, setembro 23, 2008

Hoje...

Hoje quero ser

a água do regato
o seixo da praia
a vela do moinho
a roda da saia

o alfazema do campo
a folha do Outono
a chave do cofre
a madeira do trono

a erva do quintal
o acre do limão
o balde do poço
a casa do botão

o restolhar da erva
a curva do til
o lilás do horizonte
a linha do perfil

Hoje quero partir

segunda-feira, setembro 08, 2008

Silêncio

O meu silêncio é...

o grão da fotografia que o tempo fez cor de sépia,
o vestido longo tricotado em Outonos de veludo,
a caligrafia sumida em cartas escritas por mãos hesitantes,
o cadeado de uma arca que guarda memórias,
a luz que desenha os contornos da sombra...

quarta-feira, setembro 03, 2008

Não quero...

Não quero que Setembro volte a rimar
com infelicidade e tristeza profunda.

Não quero voltar a enroscar-me
sobre mim para depois explodir
em mundos de dor e mágoa.

Não quero tornar a desfazer-me
em partículas de depressão
sem luz, nem horizonte.