sábado, novembro 04, 2006

A voz

Ligou e desligou o telefone. Várias vezes.
Mas continuou a ouvir a voz que dizia: Ravina, sulco, penhasco, depressão, esgoto…
E repetia: Ravina, sulco, penhasco, depressão, esgoto…
Uma e outra vez sem parar: Esgoto, sarjeta, depressão, ravina, sulco, valeta…
Não conseguia livrar-se dela, esquecê-la, apagá-la.
A voz ganhou forma e acenou-lhe. Ele seguiu-a, sem porquês, sem receios, por um caminho sinuoso, ladeado de árvores que diziam em coro: Esgoto, sarjeta, depressão, valeta…Nada temia, caminhava a passo seguro, sentia que regressava a um lugar conhecido. A voz parou, levantou a mão e disse: Chegámos. Precisou de apenas alguns momentos para reconhecer o ambiente onde se encontrava: Esgoto, sarjeta, depressão, valeta