sábado, fevereiro 12, 2011

Em modo de solilóquio

É perfeitamente revoltante constatar uma e outra vez que não somos apoiados nas nossas decisões de vida. Implica ter duplas certezas das nossas intenções, implica saber que se vai fazer o caminho sozinho, implica ter que arcar com o mundo às costas e nem ter direito a reclamar pelo excessivo peso.
Quando a atitude já não é novidade e depois de resolvido o nó no estômago, partimos à luta, como habitualmente. Será um repetir de gestos: arregaçar as mangas, ver as instruções, rever mentalmente o plano a seguir, garantir que o plano B, C e D estão prontos a ser accionados, confirmar se todas as forças estão no nível correcto e avançar. Acaba por ser sempre uma descoberta contínua em que, praticamente impedidos de partilhar, acumulamos comoções e vamos enchendo os espaços até há pouco preenchidos pelo vazio. Há forças agora aglutinadas que nos transportam para outro plano, onde um certo contentamento discreto acaba por quase eliminar a dificuldade vivida na partida.

3 comentários:

Catarina disse...

Se há pessoas que não apoiam, será porque acham que não será o melhor caminho a seguir, mas tu é que tens de saber se deves ou não segui-lo. Se for essa a tua convição segue em frente. Se não for esse o caminho certo, páras e segues o outro mais ao lado, mas pelo menos não ficas com remorços de não ter tentado. Essas pessoas que não te apoiaram, se isso te fizer feliz ainda te vão aplaudir, porque se gostarem de ti querem e ver-te feliz. Força amiga, se precisares de algo eu estou aqui no que eu poder ajudar.

Tina disse...

Sim, a decisão vai ser sempre minha. E a questão (em relação a quem não me apoia) é que, por vezes, nem tentam ver outros pontos de vista. Mas, como disse Shakespeare: "tudo está bem, quando acaba bem".

Eli disse...

Nós estamos sempre sozinhos, embora temporariamente nos sintamos acompanhados. Por isso, quanto mais cedo gostarmos deste lado, quase condição, melhor amamos e sentimos o outro.

:)